terça-feira, 30 de junho de 2009

São Jorge

Montado no meu cavalo, viajo por um campo de girassóis, na velocidade do vento em busca da moça com quem ia me casar.
No fim do caminho, um velho farol onde o dragão faz a flor refém.

São três andares a serem superados:

O primeiro andar chama-se “Desejo”:

É a vontade de tê-la perto de mim, de sentir seu abraço, seu beijo, o calor do corpo, a cumplicidade do olhar. De mãos dadas assistir ao nascer do sol.

O segundo andar chama-se “Paixão”:

É o sentimento que me moveu até aqui. Este é o nível mais perigoso, nele habita o egoísmo, de ser o dono dos olhos dela, de ser o único motivador dos sorrisos dela, de esquecer tudo o que mais existe, se não nós dois. E ao entardecer, de mãos dadas, assistir ao por do sol.

O terceiro andar chama-se “Amor”:

É o sentimento mais nobre que existe, é quase um dom, é a capacidade de se colocar no lugar do outro, de dar a vida por um amigo, de agir em prol da felicidade do outro mesmo que em sacrifício da própria, de conceder livre arbítrio para retribuir tal amor ou não e, ainda assim, continuar em silêncio amando, à espera de um dia ser correspondido. E ao cair da noite, de mãos dadas assistir ao show do cosmos.

Enfim chego ao topo do farol, um lugar chamado “Vazio”:

Ela não está aqui, não mais. É agora uma estrela compondo o corpo celeste das constelações.

Retiro meu elmo, uma última lágrima, então entrego meu corpo às chamas.

O universo é testemunha, a lua é a prova que carrega as marcas da minha história.

A lua minguante é o meu sorriso que se foi quando te perdi.

A lua nova é a minha fé que se renova, de que um dia tudo vai ficar bem.

Quarto crescente é o meu amor que só cresce em proporções infinitas.

A lua cheia é a minha vontade de ficar mais perto de você.

domingo, 7 de junho de 2009

O Poeta que Virou Deus





Esses dias, passando pelo centro da cidade, me deparei com uma figura bem carismática, era um bêbado, ou um louco, ou as duas coisas. Não, que nada, era um poeta. Na verdade era o poeta, era Mario Gomes. Resolvi escrever sobre ele, mas olha que surpresa a minha, encontrei uma porção de blogs que falam do poeta. Não há mais tanto o que escrever. Fiz apenas um pequeno texto que, de alguma forma, resume a história de Mario Gomes. Toda forma de homenagem ao poeta é válida.







...


Nasci no chão frio do mundo
Conheci o peito de pedra dos homens
Beijei a boca da mulher que me deixou
Sofri a angústia da tortura e do esílio no manicômio
A bebida queima meus lábios
A dor aperta meu peito
Nas ruas sou mendigo, sou louco, sou bandido
No infinito dos meus pensamentos me refugio
Lugar onde nada me atinge
Aqui sou o vento, sou o tudo, sou o nada, sou o tempo
Aqui sou netuno, sou São Jorge, sou Teseu
Nos céus da minha mente eu sou Deus


...


Segue um texto do próprio poeta

...

Beijei a boca da noite e engoli milhões de estrelas
Fiquei iluminado
Bebi toda a água do oceano
Devorei as florestas
A Humanidade ajoelhou-se aos meus pés, Pensando que era a hora do Juízo Final
Apertei, com as mãos, a terra,Derretendo-a
As aves em sua totalidade,Voaram para o Além
Os animais caíram do abismo espacial
Dei uma gargalhada cínica e fui descansar na primeira nuvem que passava naquele dia em que o sol me olhava assustadoramente
Fui dormir o sono da eternidade e me acordei mil anos depois,Por detrás do Universo.